Reflexões sobre a crise mundial
Está certo: estamos em plena crise econômica. Mas, como dizem os chineses, crise é sinônimo de oportunidade.
Tradicionalmente, os países em crise, como por exemplo, os da Europa logo após a IIª Guerra Mundial, recorreram ao Turismo como solução inicial, eficiente, rápida e barata, para resolver seus problemas de caixa.
A Europa como um todo, semi-destruida pelos bombardeios, em pouco tempo se estruturou para fazer frente aos fluxos turísticos, com a ajuda do Plano Marshall.
Como ela se posicionou? Criando escolas de qualificação para atendentes com cursos rápidos e eficientes, tanto nos serviços hoteleiros como nos gastronômicos, que naquele momento estavam destroçados, Com isso alcançou dois grandes intuitos: qualificar pessoas e criar empregos.
Os números do Turismo internacional, apesar da crise , são grandiosos: a UNWTO – United Nations World Tourism Organization – projeta para 2020 o número de 1,6 bilhões de viajantes em todo o mundo. E ela calcula que o impacto econômico que o Turismo tem nas nações menos privilegiadas é de 70% do total dos serviços de exportação. Será certamente menos no Brasil, mas assim mesmo poderá alcançar números notáveis.
Mais um dado: os Emirados Árabes, cientes que sua fonte de riqueza tem data certa para secar, estão investindo pesadamente em Turismo: Dubai, no ano passado, recebeu 45 milhões de turistas estrangeiros, cinco vezes o que o Brasil recebeu no mesmo período, sem ter nenhuma atração turística, a não ser as faraônicas instalações de mega-hotéis de luxo, que incluem até praias e ilhas artificiais, com direito a marola criada por potentes maquinários. Tudo “fake”!
O Brasil tem um território imenso, que se caracteriza por uma enorme variedade de paisagens: temos praias belíssimas, serras majestosas, rios caudalosos e navegáveis, cidades históricas, em fim “produtos turísticos” invejáveis e “de verdade”. Temos uma população que impressiona o visitante por sua gentileza e amabilidade. Estamos criando, aos poucos, uma boa infra-estrutura hoteleira.
O que falta ainda para o fluxo turístico aumentar?
Tenho certeza que se eu fizer esta pergunta a um operador do setor, ele responderá, além do eterno combate à violência (que é só urbana), que faltam serviços profissionais de qualidade: nossos garçons, ajudantes de cozinha, guardas e guias turísticos não estão corretamente treinados. Aliás, na maioria das vezes, eles não tem treinamento nenhum, para grande desespero dos responsáveis.
Vamos olhar o problema de outro ponto de vista: um grande número de jovens sem qualificação para entrar no mercado de trabalho, luta por seu lugar ao sol.
O que vamos fazer? Enfiá-los todos numa universidade de qualidade discutível, para que eles sejam, num futuro próximo, “doutores” frustrados? Nem todos tem vocação para o estudo e a maioria precisa ganhar rapidamente seu ganha-pão. Então porque não oferecer a possibilidade de um curso sério, de nível técnico, que proporcione a qualificação de garçom, atendente de hotel, guia turístico, cozinheiro etc? Um curso onde, ao mesmo tempo que se aprende uma destas profissões, seja possível aprender computação, uma língua estrangeira e “last but not least” o verdadeiro domínio e compreensão de nossa própria língua?
Os atuais cursos de Turismo, Hotelaria, Gastronomia criam “gerentes” nestes setores, mas o que acontece é que, ao sair da Universidade, os alunos não encontram o lugar que pensavam estivesse à sua espera e tem que se adaptar a um longo caminho que começa lá em baixo: ajudante de cozinha, atendente de hotel etc.
Minha sugestão é inverter o processo: favorecer a instalação de cursos profissionalizantes no Setor Turístico, de nível médio, de onde o aluno sairá com uma profissão muito procurada e, se quiser, poderá em seguida, cursar uma Universidade.
Esta não é uma solução original, mas tem dado certo onde foi implantada. Que tal copiá-la?
