Archive for the 'Sem categoria' Category

14
jun

Um importante instrumento para se profissionalizar

O Brasil está passando por importantes mudanças e está se preparando para sediar grandes eventos internacionais, tais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

                Ao mesmo tempo, com o aumento da atividade econômica, cada vez mais aparecem as nossas lacunas em qualificação profissional específica.

 

                Em vista disto, mais uma vez o ICIF apresenta um curso para Sommeliers Internacionais,           ministrado pela  AIS – Associazione Italiana Sommeliers – a mais antiga e prestigiosa das associações italianas da área.

                A  AIS tem como finalidade principal o ensino específico da enologia e da degustação para sommeliers, sendo que os seus Instrutores  lecionam  em toda a Itália, inclusive nas Faculdades de Enologia, onde ensinam os futuros enólogos a degustar corretamente os vinhos.

 

                Nosso instrutor será o Prof. Lorenzo Giuliani, professor em várias faculdades de Enologia Italianas.

O curso se divide em 3 níveis, de uma semana de duração cada um, 6 horas por dia. Os dois primeiros níveis ocorrerão no Brasil e o terceiro, na Itália, em nossa sede no Castelo de Costigliole d’ Asti.

 

                Pretendemos apresentar cursos em todo o Brasil, pois somos cientes das grandes lacunas de todo nosso pessoal de serviço, Brasil afora.

 

                Começaremos com um curso de 1° nível, em São Paulo, de 19 a 23 de julho  próximo. O curso será ministrado na sede da ABRESI – Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo, no Largo do Arouche, 290 – 4° andar. Além do apoio da ABRESI, contamos com o apoio da AREGALA, Associación de los Restauradores Gastronómicos de las Américas e da firma Bormioli Rocco & Filhos que fornecerá os copos para as degustações, criados especialmente para a AIS.

 Se alguém do setor tiver interesse nesta especialização de altíssimo nível a um custo bastante contido, considerando o que se oferece, é só nos contatar no e.mail brazil@icif.com que enviaremos todas as informações necessárias.

Até o próximo artigo!

17
mai

O Brasil que não para

 

Cada vez me convenço mais, conforme eu vou conhecendo mais do interior de nosso Brasil,  que é lá, longe dos centros urbanos e principalmente, de Brasília, que se forja a nossa nação.

Hoje vou contar mais uma história de trabalho e superação: a dos irmãos Argenta, Itacir (Neco) e Deunir, que criaram em Flores da Cunha, algo espetacular, uma vinícola, como só existem três no mundo: na Espanha, na Califórnia e em Flores da Cunha, uma pequena cidade do Rio Grande do Sul que reúne cerca de 140 pequenos e médios produtores de vinhos finos e de mesa.

Foi lá que o ICIF – Italian Culinary Institute for Foreigners, que eu represento no Brasil, fundou uma escola de enogastronomia italiana, em parceria com a UCS- Universidade de Caxias do Sul. O lugar foi por nós escolhido exatamente por ser um importante centro vinícola. Vinho e gastronomia sempre andaram juntos…

Foi lá também que, em 1931, foi implantada a Cia. Vinícola Riograndense, a primeira a plantar uvas viníferas na região, que resultaram nos primeiros vinhos varietais do Brasil, já em 1935
A propriedade, chamada Granja União, apresentava um terroir especial que forneceu, por anos a fio, os melhores vinhos produzidos então no Brasil. Lembro de meu pai dizendo que “os melhores vinhos brasileiros eram os da Granja União”. Como bom italiano, ele gostava muito de vinhos e não dispensava um copo às refeições…

Em 1999, os irmãos Argenta adquiriram a propriedade e começaram, lentamente, a realizar seu sonho. Inicialmente restauraram a belíssima casa colonial que lá existia, devolvendo a ela a sua antiga beleza. Alí será construído um centro gastronômico, com restaurante, salas de degustação etc.

Em seguida começaram a construção da vinícola, um projeto arrojado, escavado na rocha, que usa a gravidade para movimentar as uvas de maneira suave, sem que elas  sofram qualquer tipo de dano durante o processo da vinificação.

As instalações moderníssimas, incrustadas na rocha, lembram um cenário de “Star Wars”. A adega, na parte inferior, tem naturalmente uma temperatura constante de uns 15°C e portanto os vinhos lá armazenados, ficam em condições ideais de armazenagem, sem que seja necessária nenhuma intervenção para tanto.

O terreno plantado está dividido em micro-climas onde, em cada um deles, cuida-se das uvas conforme os mais modernos preceitos agronômicos. A vinificação é toda controlada, do início ao fim, por computador. O jovem enólogo, formado em Universidade italiana, dedica-se com paixão a extrair das uvas a sua melhor essência.

Pela vizinhança com a Escola de Gastronomia, pude acompanhar este longo caminho de construção de um sonho, através dos anos, mas por causa do meu trabalho, não havia visto a construção final da Adega. Foi então para mim uma gratíssima surpresa encontrar já pronto este belo empreendimento, na semana passada.

Tenho algumas fotos  que vou compartilhar com Vocês  mas, embora muito bonitas,  elas dão somente uma pálida idéia do conjunto. Meu conselho é:  visitem a Vinícola e admirem o arrojo e a beleza do projeto. E degustem seus ótimos vinhos, pois ninguém é de ferro!….

 

 

 

 

17
out

Viagem ao México profundo

Estou voltando de uma agradável, embora rápida, viagem ao interior do México.
Estive no Congresso da AREGALA - Associación de los Restauradores Gastronómicos de las Américas, em Zacatecas, bem no México Central.
O Congresso foi um sucesso, com a participação de mais de 30 delegações de toda a América e também da Europa, mas não é disso que quero falar.
Minha conversa hoje é sobre a cozinha mexicana e sua incrível variedade e originalidade.
Estou convencida que, se quisermos falar de cozinha americana autóctone, deveremos falar de cozinha mexicana. Nenhuma outra tem, como ela,  as características de autenticidade e independência de um padrão externo.
Nas outras cozinhas da América Latina, a influência espanhola, portuguesa, africana, francesa, italiana e asiática se faz sentir  acentuadamente. Senão  vejamos: no Perú o prato nacional é o delicioso ceviche, produto de clara influência asiática. Em Cuba, o arroz e feijão preto, que lá se chama “Moros y Cristianos”, e os famosos pratos de lagostas e mariscos, sofrem a influência européia, francesa e espanhola principalmente. No Brasil, nossa feijoada nada mais é que um guisado de porco português, francês ou italiano, adaptado às nossas condições socio-econômicas. Dividimos com a Argentina a cultura do churrasco, que provém da época em que o pampa, argentino e gaúcho, formavam uma só cultura.
Todos estes países, dividem fraternalmente a cultura do cozido, herança hibérica e francesa (olla podrida espanhola, cozido português, pot-au-feu francês).
Mas a cozinha mexicana prima pela independência, usando seus ingredientes originais com rara sabedoria e delicadeza. Todos os ingredientes usados em suas culturas primitivas e autóctones, continuam presentes na cozinha atual. Tortillas, quesadillas, sopes, tacos, enchiladas e moles são servidos hoje como o eram  há algumas centenas de anos. Todos devidamente apimentados o que, convenhamos, é a principal característica desta cozinha. No aeroporto, me serviram um misto quente, devidamente regado com molho de pimenta vermelha…
Se os mexicanos me permitirem, eu dividiria a cozinha mexicana em duas categorias bem distintas: a cozinha tradicional, robusta, apimentada e gordurosa e a moderna.
Tive contato com a tradicional em várias ocasiões, inclusive no café da manhã do Hotel em que estive hospedada, onde ao mesmo tempo em que se oferecia um Breakfast Continental completo, eram servidos inúmeros pratos mexicanos: frijoles, pollo de diversas maneiras, chicharrón (couro de porco frito) e ovos preparados com bacon, pimentões ou pimentas variadas, com batatas etc. Um verdadeiro almoço. E confesso que para mim, pobre coitada acostumada ao café com leite e ao iogurte, pela manhã, o festival de perfumes e odores que emanavam dos pratos não era muito bem vindo…Vi uma senhorinha bater um prato de dois ovos estrelados, seis fatias de bacon frito e o resto do prato com uma montanha de frijoles e tortillas de cerdo, com a mesma facilidade com que eu engulia um iogurte desnatado…Haja saúde!!! (Será que eles não tem problemas de colesterol?)
A cozinha moderna, pelo contrário, busca usar os mesmos ingredientes da tradicional, isto é o milho, os inúmeros tipos de pimentões e pimentas, a carne de frango e de porco e os infinitos “moles” (molhos), mas de uma maneira mais leve e delicada e estão conseguindo isto brilhantemente, sem perder sua tipicidade. Provei uma “crema de chicharrón” levíssima e muito saborosa, apesar do ingrediente principal ser muito gorduroso. Tive uma experiência interessantíssima com um filé de truta cozido em “papillote” numa folha de bananeira e temperado com uma folha para mim desconhecida, a “hoja santa”, um tempero com um forte aroma de aniz. Quando abri a folha de bananeira, o aroma de peixe e aniz não me deixou muito empolgada. Esperimentei um pedacinho e não era lá grande coisa. Mas tudo mudou quando derramei no peixe um molhinho servido a parte que me disseram ser de papaia. A cor era de mamão mesmo, mas o sabor, que levava gengibre mas também muitos outros temperos que não consegui identificar (jalapeño? tomilho?) era o complemento perfeito para o pescado: diminuia um pouco o forte sabor da hoja santa e produzia uma combinação perfeita entre peixe e molho. Uma verdadeira aula de harmonização gastronômica.
Em tempo: busquei em todas as livrarias de Zacatecas textos sobre a História da Gastronomia Mexicana. Sei que há inúmeros textos a respeito. Se alguém souber me indicar, agradeço. Até a próxima vez.




Sobre

Paola Giusti Tedeschi é italiana residente de longa data no Brasil e tem uma longa história como professora e profissional de gastronomia e de enologia. Além de expert em gastronomia italiana, vinhos e azeites, e consultora de serviços na área, Paola é também professora de História da Gastronomia. Neste blog Paola registra a sua visão de grande conhecedora do assunto sobre questões de relevância no atual panorama gastronômico no Brasil e na Itália. Atualize-se sobre o mundo da gastronomia com a Paola!


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