Archive for maio, 2010

17
mai

O Brasil que não para

 

Cada vez me convenço mais, conforme eu vou conhecendo mais do interior de nosso Brasil,  que é lá, longe dos centros urbanos e principalmente, de Brasília, que se forja a nossa nação.

Hoje vou contar mais uma história de trabalho e superação: a dos irmãos Argenta, Itacir (Neco) e Deunir, que criaram em Flores da Cunha, algo espetacular, uma vinícola, como só existem três no mundo: na Espanha, na Califórnia e em Flores da Cunha, uma pequena cidade do Rio Grande do Sul que reúne cerca de 140 pequenos e médios produtores de vinhos finos e de mesa.

Foi lá que o ICIF – Italian Culinary Institute for Foreigners, que eu represento no Brasil, fundou uma escola de enogastronomia italiana, em parceria com a UCS- Universidade de Caxias do Sul. O lugar foi por nós escolhido exatamente por ser um importante centro vinícola. Vinho e gastronomia sempre andaram juntos…

Foi lá também que, em 1931, foi implantada a Cia. Vinícola Riograndense, a primeira a plantar uvas viníferas na região, que resultaram nos primeiros vinhos varietais do Brasil, já em 1935
A propriedade, chamada Granja União, apresentava um terroir especial que forneceu, por anos a fio, os melhores vinhos produzidos então no Brasil. Lembro de meu pai dizendo que “os melhores vinhos brasileiros eram os da Granja União”. Como bom italiano, ele gostava muito de vinhos e não dispensava um copo às refeições…

Em 1999, os irmãos Argenta adquiriram a propriedade e começaram, lentamente, a realizar seu sonho. Inicialmente restauraram a belíssima casa colonial que lá existia, devolvendo a ela a sua antiga beleza. Alí será construído um centro gastronômico, com restaurante, salas de degustação etc.

Em seguida começaram a construção da vinícola, um projeto arrojado, escavado na rocha, que usa a gravidade para movimentar as uvas de maneira suave, sem que elas  sofram qualquer tipo de dano durante o processo da vinificação.

As instalações moderníssimas, incrustadas na rocha, lembram um cenário de “Star Wars”. A adega, na parte inferior, tem naturalmente uma temperatura constante de uns 15°C e portanto os vinhos lá armazenados, ficam em condições ideais de armazenagem, sem que seja necessária nenhuma intervenção para tanto.

O terreno plantado está dividido em micro-climas onde, em cada um deles, cuida-se das uvas conforme os mais modernos preceitos agronômicos. A vinificação é toda controlada, do início ao fim, por computador. O jovem enólogo, formado em Universidade italiana, dedica-se com paixão a extrair das uvas a sua melhor essência.

Pela vizinhança com a Escola de Gastronomia, pude acompanhar este longo caminho de construção de um sonho, através dos anos, mas por causa do meu trabalho, não havia visto a construção final da Adega. Foi então para mim uma gratíssima surpresa encontrar já pronto este belo empreendimento, na semana passada.

Tenho algumas fotos  que vou compartilhar com Vocês  mas, embora muito bonitas,  elas dão somente uma pálida idéia do conjunto. Meu conselho é:  visitem a Vinícola e admirem o arrojo e a beleza do projeto. E degustem seus ótimos vinhos, pois ninguém é de ferro!….

 

 

 

 




Sobre

Paola Giusti Tedeschi é italiana residente de longa data no Brasil e tem uma longa história como professora e profissional de gastronomia e de enologia. Além de expert em gastronomia italiana, vinhos e azeites, e consultora de serviços na área, Paola é também professora de História da Gastronomia. Neste blog Paola registra a sua visão de grande conhecedora do assunto sobre questões de relevância no atual panorama gastronômico no Brasil e na Itália. Atualize-se sobre o mundo da gastronomia com a Paola!


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