Lembro da beleza solene das cataratas e do já um pouco decadente Hotel Tropical que pertencia à velha Varig.
Fui novamente a Foz na semana passada, a convite do Hotel Bella Itália, que neste ano completa 20 anos e, iniciou as festividades comemorativas com uma aula com degustação de azeites, apresentada por mim.
Foi uma agradável surpresa, em todos os sentidos.
O aeroporto, que eu lembrava pequeno e desguarnecido, estava irreconhecível, com instalações confortáveis e modernas.
No caminho para a cidade, muitos hotéis e resorts novos, já indicavam a mudança drástica que houve nestes 20 anos: Foz do Iguaçu se tornou uma bela cidade, com muito verde, amplas avenidas e um povo hospitaleiro e gentil.
Tive o privilégio de conhecer a Família Bortoli, uma “famiglia italiana” que se orgulha de sua origem, mas ama sua terra.
O hotel é dirigido por toda a família, pai, mãe e quatro filhos, que dividem harmoniosamente o trabalho. A gente vê o carinho e a dedicação com que isto é feito, até nos pequenos detalhes: tudo é cuidado, caprichado, feito com amor.
O serviço é impecável, coisa que me chamou a atenção porque é raro isto acontecer. Há uma sinergia entre todos os que ali trabalham: uma das possíveis razões é que a maioria das pessoas trabalha no Hotel há anos e, de alguma forma, se sente parte importante do conjunto.
E isto é fundamental.
Tive também ocasião de conhecer as cozinhas e as senhoras que lá trabalham; a organização é muito boa, as cozinhas são amplas e funcionais, feitas evidentemente por quem entende do riscado: o Sr. Arnaldo Bortoli me contou que, antes de abrir o Hotel, há 20 anos, viajou por vários países da Europa, estudando exatamente as cozinhas existentes e seus problemas.
Isto, para mim que estou cansada de ver cozinhas desenhadas por arquitetos que jamais pegaram numa panela e que criam problemas insuperáveis para os pobres cozinheiros, foi um verdadeiro refresco.
As cozinheiras foram muito simpáticas e interessadas em aprender novas receitas. Só pude passar algumas, porque o tempo era curto.
Reencontrei também a velha e boa “cozinha italiana” dos nossos imigrantes, uma cozinha que já não tem muito a ver com a moderna gastronomia italiana, sendo fruto da culinária antiga, que os italianos aqui chegados conseguiam reproduzir, introduzindo algumas modificações quando faltava algum ingrediente que aqui não existia. Qualidade excelente dos ingredientes e uma fartura extraordinária.
Eu gosto de chamar esta cozinha de “colonial” e sempre me bati para que ela fosse preservada como parte de nossa história. Até iniciei uma coleção de receitas que sonho um dia ter tempo de reunir num livro.
Tudo isso para dizer que Foz do Iguaçu está fazendo a lição de casa, na parte do Turismo e Hospitalidade. Dotada de tantas belezas naturais, (as cataratas continuam deslumbrantes) ótimos hotéis e restaurantes, possibilidade de pesca, turismo ecológico, trekking e muito mais, além de ser um verdadeiro paraíso para compras, ela tem tudo para se tornar meta privilegiada de turismo, não só nacional como internacional.
Ela está no caminho certo.
